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Quando o assunto é Língua Portuguesa podemos “falar pelos cotovelos”. Falada por milhões de pessoas no Brasil, essa língua se transforma a cada dia. Essas transformações podem surgir de diversas formas e podem se manisfestar na escrita e/ou na fala.

De maneira criativa, devido ao uso das redes sociais e da mídia, a Língua Portuguesa tem ganhado novas expressões que a cada dia estão mais presentes nas falas dos brasileiros: os memes.

Pokemon

Além de criar expressões divertidas para ilustrar algumas situações, o brasileiro, em seu cotidiano, mostra como é inteligente na hora de se comunicar. O meme é a junção de uma imagem com uma frase que se complementam, podem ser utilizadas em certos contextos e se tornam muitas vezes engraçados. O meme pode também viralizar, que é quando em instantes uma informação se espalha pelo país todo e as vezes até pelo mundo. Uma das teorias é de que essa palavra surgiu no grego e significa “imitação”.

Brasil!

Você também pode criar seu próprio meme. O que você acha de tentar produzir um?

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Procure uma imagem, pense num contexto e crie uma legenda que complemente a imagem selecionada. A legenda pode ser fictícia ou real. A ideia é que juntas, legenda e imagem criem um contexto engraçado com um tom de humor. Depois de criar o seu meme, lembre-se de compartilhar o resultado usando as hashtags #criemlp #educativomlp #educativoevcmlp

Cadê o grito da torcida?

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Já notou a criatividade dos torcedores em suas manifestações de torcida?

Em tempos de Olimpíada temos a oportunidade de ver o quanto somos rápidos em criar expressões relacionadas ao que está acontecendo nas ruas e nas competições.

A goleira da seleção americana de futebol, que antes de vir ao Brasil havia postado fotos com vários aparatos de proteção contra o vírus da Zika, sempre que tocava na bola ouvia da torcida “ooo zica!”, associando o nome do vírus à expressão “deu zica”, deu tudo errado.

Inspirados pela torcida do Japão que gritava “Go Nippon!” durante uma partida de tênis de mesa, a torcida brasileira entrou no coro com uma rima “Go Pokemon!”, fazendo uma rápida conexão com o assunto do momento, o jogo Pokemon Go.

Os cabelos de alguns jogadores também inspiraram alguns torcedores, como os do boxeador do Equador, Carlos Andrés Mina. Aproveitando o nome do atleta os torcedores cantaram em coro o sucesso dos Mamonas Assassinas – “Mina, seus cabelo é da hora…”.

Sucesso mesmo fez a faixa de um torcedor da equipe de handebol feminina. A faixa “joguem como bebemos” ganhou os jornais e foi replicada em posts do Twitter e Instagram.

Você lembra de frases de torcida de outras épocas?  Uma que foi muito usada na década de 80/90 – “É canja, é canja, é canja de galinha, arranja outro time prá jogar na nossa linha!”. Sabe qual a origem? Conhece outras?

Compartilhe  #criemlp  #educativoevcmlp #educativomlp

CINESÍFOROS, ALVISSAREIRO E LUDÂMBULOS

No final do século XIX, o latinista Antônio de Castro Lopes decidiu investir contra as palavras de origem francesa e inglesa que, segundo ele, contaminavam a língua portuguesa. Patriota com um Policarpo Quaresma, o professor Castro Lopes inventou palavras à partir de uma pretensa etimologia genuína do Português e as compilou no livro  Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis. Vejamos alguns exemplos extraídos do livro.

Cinesíforo foi inventada para substituir chofer (do francês chauffer), mas não pegou. Cinesíforo, formada de cinesis (do grego kinesis, movimento) + foro(do latim fero, provoco, causo), tinha tudo para cair no esquecimento e caiu. Apesar da palavra chofer continuar viva, seu significado foi deslocado para o indivíduo que dirige profissionalmente. Hoje, utilizamos a palavra motorista para designar o condutor de automóvel em geral.

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Alvissareiro deveria substituir repórter, anglicismo proveniente do verbo inglês “to report” que, por sua vez, vem do latim reportare, formado de re (de novo) + portare (levar), significado a ideia de que a notícia é levada ao repórter que a leva novamente ao público. Mas a verdade é que ‘alvissareiro’ também não pegou, prevalecendo até hoje o anglicismo.

Segundo o prof. Castro Lopes, as manchetes dos jornais deveriam dar “Os ludâmbulos invadiram o Brasil para a Copa do Mundo”. Mas quase ninguém entenderia, né?! Ludâmbulo foi a palavra criada pelo professor para substituir turista (do inglês tourim e que chegou ao português por meio do francês tourisme). Ainda bem que não pegou!

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No entanto, algumas palavras inventadas pelo professor acabaram pegando e entraram para o dia a dia dos brasileiros. É o caso da palavra estreia, em substituição ao vocábulo francês début e da palavra  cardápio, que hoje convive pacificamente com menu, também de origem francesa.

Machado de Assis ficou profundamente irritado com as propostas contidas no livro. Em crônica de 1888, inconformado com as invenções idiomáticas de Castro Lopes, o autor ameaçou: ” Mando meu oficio à fava, e passo a falar por gestos. ” Para o grande escritor brasileiro e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, a língua não atende à canetadas.

FUTEBOL É GUERRA

Rinus Michels (1928-2005), técnico da seleção holandesa de 1974, também conhecido como “o General”, disse uma frase que entrou para a história: “Futebol é guerra”. O que parece ser uma simples figura de linguagem dita no calor da emoção é na verdade uma analogia recorrente dentro de diversas línguas, entre elas a língua portuguesa. Dar combate, disparar uma bomba, estudar o adversário, mudar de tática e municiar o ataque, são apenas alguns exemplos de expressões linguísticas que manifestam a mesma metáfora conceitual declarada pelo General: Futebol é guerra!

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Na visão clássica, as metáforas eram entendidas como um recurso de superfície, utilizadas quase que exclusivamente na poesia, como no famoso verso “o amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís de Camões. De alguns anos para cá, no entanto, houve uma revolução no estudo das metáforas. A moderna Linguística Cognitiva hoje afirma que elas são conceituais, ou seja, diretamente relacionadas às funções de pensamento. Dessa forma, a metáfora não é mais vista como simples figura de linguagem, mas como parte essencial do nosso modo de pensar e sentir. Isso fica claro quando constatamos que ela está presente em todos os tipos de discurso, do cotidiano ao científico, e não apenas nas poesias. Diariamente dizemos “minha cabeça está explodindo”, “hoje estou quebrado” ou “como ele anda esquentadinho”, sem nem perceber que estamos metaforizando.

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FUTEBOL É GUERRA é um desses exemplos de metáfora conceitual presente no nosso dia-a-dia. Ela faz uma projeção entre um domínio de origem (GUERRA) e um domínio alvo (FUTEBOL), e pode ter diversas realizações linguísticas como, por exemplo: “Nos primeiros três minutos da batalha”, “O atacante desferiu uma bomba” e “Técnico elogia tática do adversário”, frases comuns na vida de qualquer brasileiro que acompanha o futebol.

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Na Copa do Mundo do Brasil de 2014, tivemos a oportunidade de ver muitas dessas metáforas nas vozes dos locutores esportivos e nas manchetes dos jornais. A guerra vai começar, mas lembrem-se: o campo de batalha começa  e acaba dentro do gramado e as únicas armas são o talento e a garra de grandes jogadores. A metáfora acaba aí. Aqui fora somos apenas torcedores, celebrando a paz.


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